O piso estragado

Rede Social

Estou com os professores e defendo-lhes o direito à greve. Não se pode, é impossível trabalhar assim, fica combinado.

Vamos convir. Não tinha como evitar uma greve. As burras do governo fizeram greve, já fez tempo. O convite à greve dos trabalhadores ficou óbvio, pronunciado, quase uma intimação. A greve é a única alternativa para os professores. Aliás, nem precisava. Era só mandar um emailzinho pro Palácio avisando: não posso estar na sala de aula, preciso do tempo para procurar um empréstimo para saldar as minhas contas, algumas mesmo que devo para as burras de Vossa Excelência. Venha me substituir na sala de aula, para que os alunos não fiquem sozinhos, para que não precisem ficar em casa…

Os professores caíram, por falta de chão sob os seus pés. O governador do nosso Estado começou a gestação do seu período palaciano ameaçando o funcionalismo. Ameaçou uma, duas vezes, de cortar salário, parcelar vencimentos, até que colocou o seu terror em prática. (Eu não gosto de duvidar de muita coisa, mas seria capaz de apostar que, tendo o senhor governador e/ou seus principais secretários, como única fonte de ganhos o vencimento do mês na função, não pagaria apenas 350-500, deixando escorregar, pingadinho, ao longo de quinze dias, os restos salariais do mês já vencido por inteiro.)

Eis como a educação está sendo destratada.

Aliás, parece que este governo vê mesmo a educação como um brinquedo. Talvez uma diversão. Isso vem desde antes de sua eleição. Durante a campanha (quem ainda lembra?) já brincava, debochava dos professores. Se quisessem o piso, fossem na loja de ferragem, onde se vendia o piso (para a casa). Os professores precisam muito mais que isso. Eles merecem bem mais.

Não sei entender diferente do que um deboche, um atiçamento, dizer que compreende a situação dos professores, mas que a greve não é oportuna, que ela não ajuda a resolver os problemas do Estado, como afirmou o governador quando a decisão dos educadores veio a lume. Claro que não resolve!

Como não resolvem os problemas dos professores os poucos pilas pingados na conta bancária. As contas que os bancos cobram certamente são bem superiores a essa quantia. Como ir à aula? Como ensinar? Como sorrir para as crianças? Como lhes mostrar horizontes claros e iluminados, se os olhos dos professores estão turvados pelas lágrimas, pelo desgosto, pelo sofrimento, pela preocupação com suas finanças familiares? E já virá outro final de mês, e os dilemas dos professores hão de se renovar!

E não venha ninguém dizer aos educadores que peçam demissão e procurem outra coisa para fazer, se não estão satisfeitos com o que e como recebem. Seria a mesma coisa que todos nós cidadãos gaúchos dizermos que os governantes peçam demissão e procurem outra ocupação, se não são capazes de resolver os problemas do Estado. Certamente mais de noventa por cento dos professores estão na função porque é disso que gostam e para isso se prepararam.

Os gestores públicos também?

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