O país da jogatina

Rede Social

Está de volta o parlatório. Como de tempos em tempos ressuscita, cavouca seus espaços e adormece. Ressurge nos mesmos intervalos dos tempos em tempos. Me parece tudo uma dialética abestalhada. Sem o menor sentido. Tanto o aparecer quanto o desaparecer da diarreia vocal sobre o assunto.

O assunto são os jogos. Não os jogos da seleção ou da Copa do Mundo, que de tempos em tempos nos dão uma alegria ou uma decepção.

Falo dos que uns e outros chamam de jogos de azar. Alguém vai e abre um bingo (ou como querem que os denominem), chama uma dúzia de pessoas e lá rola algum dinheiro. Uns vão lá e perdem a grana, na ânsia de ganhar um tanto. Em geral perdem muito mais do que imaginaram poder ganhar. Hoje deu azar. Amanhã o azar estará de volta e, no dia seguinte, quiçá uma vez mais. Eventualmente, o saldo do jogador tornará o seu bolso positivo. Será, sempre, um momento raro. Como é parca a alegria de qualquer elemento do povo.

Jogos de azar, é como os puritanos lhes dão o apelido. Azar é de quem vai lá e perde todo o seu dinheiro. E há os que empobrecem jogando, na ilusão de enriquecerem nas jogadas de sua felicidade. De sua esperança. Renovada nas reiteradas voltas ao jogo.

E eis que se discute outra vez o jogo. Numa dialética que jamais criará qualquer tese real que possa chamar a sua antítese e formar uma síntese razoável. A dialética da bobagem.

Existem, por semana, mais de vinte jogos, todos oficializados pelos governos, daqui e de acolá, que não chamam nem de longe a dialética do azar. Jogos nos quais o povo, em profusão, gasta o seu dinheiro sem cerimônia, alegre e faceiro, sem um pingo de felicidade depois das apostas feitas e do dinheiro depositado nos postos oficiais. Nessa jogatina, o governo arrecada feito uma lavoura de diamantes sem fim. Os governos gostam dessas arrecadações. As burras ficam estufadas.

Porém, mesmo assim, as soluções que o povo espera para os seus problemas que dependem das verbas dos governos se mantêm tão distantes quanto as estrelas das noites escuras e nubladas. Qual é a dialética dos jogos?

Já defendi, em algum momento, a jogatina oficial como salvação redentora do país e do seu povo. Agora, parece, que a minha sugestão de antanho ganha contornos de aceitação. Começam as escaramuças dialéticas para implantar a rotina do jogo, enquanto não se encontram portas de saída para a falta de grana que incendeia a pátria.

Os tais jogos de azar viraram o fio e se converteram em jogos da sorte. Seria isso?

A questão não é o jogo pelo jogo, pelo dinheiro despejado ali. Isso acontece de toda a maneira. Como pincelado antes, só a Caixa Econômica Federal (banco oficial do Governo) tem mais de vinte jogos por semana. Centenas de milhares deixam lá seus ganhos.

A questão é saber onde o governo – que ao final das contas e das somas e da arrecadação – vai meter essa vasta fortuna que vai recolher através dos novos jogos, da sorte e do azar. O maior, o mais sublime dos problemas de que padecemos é que o governo não sabe como empregar o dinheiro que arrecada. E este é o grande azar do jogo.

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