“Vagões” em desarranjo

Rede Social

É lamentável o aumento da energia elétrica que está nascendo para os consumidores. Mais de trinta por cento para os consumidores é uma vergonha com a qual nem a inflação consegue lutar. No repique dos aumentos da energia para as empresas, que fatalmente os repassarão aos consumidores, que, afinal, moram nas residências, o aumento será bem mais elevados para estas. É muita irresponsabilidade para um lado só, o dos gestores públicos.

É certo que nisso ainda tem um filé de governo anterior, que decretou “na marra eleitoral” uma diminuição artificial dos preços da energia, o que agora todos nós pagamos com o gosto amargo da decepção e da desesperança.

A Aneel patrocinar uma talagaço dessa monta é, além de inexplicável, inaceitável e, mais ainda, inequívoca exteriorização da total incompetência do gerenciamento da coisa pública. Não tem outra explicação. Ou tem? Se bem que o governo e as agências reguladoras se amalgamam em um único objetivo: faturar, sem olhar o furo que deixarão no piso da pátria. Este aumento de talagada definitivamente não foi apenas um blackout de planejamento.

A propósito de corrupção – Quando um presidente da República patrocina lautos jantares, para centenas de parlamentares e quejandos, regado às fartas com cargos de todos os escalões da (des)governança, com o intuito insofismável (isso mesmo!) de cooptar “aliados” com o fim único e íntimo de votar nos seus projetos, isso não se traduz, de forma clara, cristalina, peremptória, em compra de votos? O que fazer?

E Marchezan rateou de novo – Os termos usados pelo prefeito da capital, em discurso inflamado, durante evento do MBL (Movimento Brasil Livre) realmente não foram felizes. Pelo método Marchezan Jr, os parlamentares são todos uns “vagões”. Porque não votam de acordo com eles, os “executivos”. Como não especificou, mas definiu, ele acabou de dizer que todos o são. (Na fala dele, pronunciou um “C” no lugar do “V”. “Eles são uns “vagões”! – vociferou. Que linguagem!

Não importa em que ambiente um político se pronuncie, é o seu pensamento que viaja e se apresenta ao mundo. Um discurso um pouco mais peneirado pela sabedoria, pela elegância, pela energia sábia poderia dizer a mesma coisa, com melhor resultado, com alcance mais certeiro e resultados mais em conta. Não precisaria ser grosseiro, nem achincalhante.

Marchezan Jr. esqueceu que ele mesmo foi parlamentar, e por um período bem longo, até demais. E vejam só o seu conceito sobre o que ele já foi. Ou será que ele pensa mesmo que, só porque ele saiu de lá, os caras viraram “vagões”. Ele é que salvava os caras de “vagarem” por aí!

Foi mal, seu Marchezan Jr! A sabedoria chinesa ensina que a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida nunca voltam atrás. Este é o mal de parcela dos nossos políticos, não pensam.

Depois de falar o que não pensaram (ou que falaram por pensar mesmo), precisam remendar. E, invariavelmente, a emenda piora o soneto. (Ah, se ao menos fossem poetas!). Então se queixam das críticas. Póf!

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