Saco sem fundo

Rede Social

Em tempos que os governos e seus asseclas parlamentares chamam de pra lá de bicudos, jorram mananciais financeiros por todos os poros, até mesmo por onde já tudo se exauriu, como proclamam. Isso é tão incrível quanto surreal.

Nesse contexto de miséria e seca financeira de um país rico, riquíssimo como o nosso, se jogam oceanos de dinheiros literalmente pelos ralos da absoluta desnecessidade. E, mais pesarosamente que isso, para entupir os amplos bueiros do desperdício, sacam-se as já parcas reservas marcadas para setores como a educação e a saúde, por exemplo. Uma contradição do tamanho do próprio Congresso.

Estou me referindo claramente às fortunas aprovadas para o financiamento das campanhas eleitorais. Um absurdo. Lá se vão bilhões de reais. Para quê? Absolutamente para nada. Para enormes discursos com os quais se embrulham promessas inexequíveis, irreais e, obviamente, que não se cumprirão. Como estamos cansados, já por demais, de ver e ouvir a cada repeteco de campanha eleitoral.

A contradição é algo monstruoso. O país quer reformas porque está falido. E se aprovam absurdas somas astronômicas para algo totalmente dispensável. Monstros já não são bem vindos nas jornadas políticas e sociais deste país. É preciso, pois, antes de mais nada e acima de tudo, acabar com tais monstruosidades. Capazes de estrangular o nosso “impávido colosso” com a simplicidade terrível dos votos de um parlamento, se não falido, ao menos desacreditado por completo.

A inércia que se revolta — O literal muitas vezes não deve ser seguido. O nosso hino canta o país como um gigante deitado eternamente em berço esplêndido. Às vezes, a impressão me alcança o entendimento de que o nosso Congresso Nacional se imagina o gigante nascido para permanecer por todo o sempre inanimado naquele áureo berço, refogado nas somas de seus imensuráveis soldos remuneratórios.

Vivemos tempos em que uma quantidade estupenda de parlamentares e quejandos são acusados, denunciados, flagrados em atos de corrupção — uma vergonha colossal. Mas eles têm aquele famigerado “foro privilegiado”. Mais parece o oitavo pecado capital. Talvez devesse ser o primeiro, pela ordem e importância. Cogita-se, há muito, extirpar tão grave falha em nossa legislação. Mas os congressistas não se mexem. E o povo, por óbvio, conclui que acabar com tal excrescência não lhes interessa. Poderiam cair nas Varas de primeira instância da Justiça, onde as investigações, via de regra, são bem mais rápidas do que no Supremo Tribunal Federal.

Mas… Bastou que o assunto fosse pautado na Corte Suprema, sentindo-se ameaçados e, cheios de ciúmes também (como não!), resolveram patrocinar um rol de novas regras a respeito. E, precisamos dizer, pelos indícios do projeto que vaza para o conhecimento público, parece ser de bons agouros a medida que tramita por entre as cadeiras dos Parlamentos. Se vai dar em uma lei com vigor, ainda veremos.

Foi por isso, certamente — e porque a função de legislar é do Congresso, precipuamente, desde que o faça —, que também lá na Corte se pediu “vista” do processo em questão. Só para ver se os homens que mandam nas Câmaras Legislativas desta terra realmente levarão a cabo um dos seus deveres fundamentais. Razão de lá estarem, comendo vorazmente o nosso dinheiro. Acordar também é preciso.

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