O valor das denúncias

Rede Social

Um raciocínio simples resolve tudo. Sem complicação. E, por ele, concluo por um valor extremamente elevado das denúncias que afogam o governo federal. Vamos exercitar, um pouquinho só, o raciocínio.

Quanto mais o governo Temer se afunda em denúncias, tanto mais dinheiro aparece para contemplar obras por todo o nosso país, de sul a norte, de leste a oeste. Basta que uma denúncia, reles, ínfima, surja no horizonte palaciano, e lá vai ele reunindo deputados para salvar a sua pele. E a salvação da pele dele é a mesma que catapulta os parlamentares nas próximas eleições.

Eu imagino a situação: em torno daquela vasta, interminável mesa de reuniões e churrascos de Brasília, o homem abre o cofre imenso, profundo cofre, de onde salta dinheiro até pelo ladrão, e é pra já que as tais “emendas parlamentares” são contempladas — viram?, existe um cofre com muuuuita grana.

Podemos ver que essas verbas aparecem sem qualquer esforço. Parece saltar de uma manga ou chapéu de mágico. Mas é real — certamente pouco republicano. Mas tem, ao contrário do que o seu ministro da Fazenda e ele próprio palestram sobre a tal quebradeira do país. Lorota. Um país rico, riquíssimo, onde o dinheiro abunda nos esconderijos centrais.

Precisamos torcer para que venham mais denúncias, muitas. Coisa de todo mês, para que o Congresso e o Planalto tenham com o que se ocupar e preocupar. Tratar de desovar o dinheiro guardado para eventualidades quaisquer. E liberá-lo para as obras que são necessárias. Pelas quais o povo já pagou. Nada eventuais. Permanentes.

Deixemos, pois, a Polícia Federal, o Ministério Público, a Justiça trabalharem, essas instituições também precisam se ocupar, e se ocupam bem. Para sorte nossa, sociedade. Deixem-nas trabalhar! E não esqueçamos da máxima de Cervantes: “A punição cabe ao juiz; a repreensão, a todos”. Eis aí o nosso papel. Nosso, o todos. Olhar cáustico aos que desonram a representação que lhes confiamos. A repreensão nossa de cada dia.

Assim, que vá remando a vida deste imenso país, até que a política se desentorte. Até que se convençam os nossos representantes da outra oração do vate espanhol: “A honestidade é a melhor política”. Porque — parece — entre nós a política infelizmente ainda não carrega a melhor honestidade.

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Aparte – REFORMA DA PREVIDÊNCIA: Concordo com ela, se é por causa “dos privilégios e dos que trabalham pouco, ganham muito e se aposentam cedo”. Neste grupo figuram, principal e especialmente, os políticos, os presidentes (como o senhor Temer), os governadores, os parlamentares. Comecem, senhor Presidente e senhor Ministro da Fazenda, por cortar os privilégios desses, dos altíssimos salários de vocês e pela aposentadoria precoce dessa turma, meia dúzia de anos de contribuição. E terão feito uma grande reforma. Se, ademais, conseguirem reformar a pouca vergonha da política, vocês serão estatuados como heróis de verdade. Não de mera hipocrisia.

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