EnFoque – 13.12.2017

Rede Social

 

 O Idoso ontem; o jovem idoso hoje.

E no futuro?

A partir dos anos 60 observa-se o início do envelhecimento da população brasileira, processo este, oriundo de vários fatores, especialmente da diminuição da fecundidade (redução de número de filhos por casal), bem como da modificação do conceito de qualidade de vida da população como um todo, em especial, dos denominados atualmente “jovens maduros” (entre as idades de 40 a 60 anos).

 

Diante das estatísticas mundiais, além da redução da mortalidade infantil e do índice de fecundidade estar menor, o aumento expressivo de idosos na população vem fomentando a necessidade de ampliar a rede de atendimento à chamada “melhor idade” (entre as idades de 60 a 100 anos).

 

No Brasil, de forma muito acelerada, o envelhecimento da população antecipou-se ao desenvolvimento econômico e social, resultando assim, numa sociedade envelhecida; no Documento da Secretaria Geral dos Direitos Humanos[1], há referência de que o envelhecimento da população é reflexo de ‘conquista cultural em seu processo de humanização, refletindo a melhoria das condições de vida da população’.

 

De acordo com projeções das Nações Unidas (Fundo de Populações), dentre 9 pessoas no mundo, uma tem mais de 60 anos, e estima-se que em 2050 esta proporcionalidade será: entre cada 5 pessoas, uma será maior de 60 anos.

  

Em estudos desenvolvidos de projeções estatísticas, conforme ANTUNES (2012, p.27)[2], em 1950, 4,2% da população mundial era idosa. Aumentou para 5,1% em 1970; 6,1% em 1980 e 7,6% em 1991. Com isto, no ano de 2030, projeta-se que haverá mais idosos que crianças menores de 15 anos.

 

Ao buscar informações no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os mesmos processos ocorrem no Brasil e no Rio Grande do Sul (RS), conforme a Figura abaixo:

 

Em virtude de políticas públicas de saúde voltadas às questões que envolvem natalidade e índice demográfico, face ao desenvolvimento econômico e social do país, o planejamento dos programas de saúde da família tem o propósito de incentivar a diminuição da fecundidade, reduzindo, assim, o índice populacional.

 

Da mesma forma, o IBGE traz uma projeção para 2020 e 2030, na Figura abaixo, cujo aumento médio será de 2,5% do número de idosos e, concomitantemente, média inversamente proporcional do índice de fecundidade.

 

A Secretaria Geral dos Diretos Humanos projeta que o número da população global alcance 1 Bilhão de idosos em 2020 e, em 2050, este número duplicará, correspondendo assim a 22% da população global.

 

Ao analisar a Figura abaixo, pode-se identificar, pela projeção dos anos, a expectativa de vida tanto do Brasil, quanto do RS, no período de 2000 até 2030. É perceptível que em ambos os gráficos há uma linearidade, tendo o RS uma diferença de 3% a mais do que os índices do Brasil:

 

 

 

Diante de tais informações e estimativas é necessário conscientizar a sociedade sobre as diversas repercussões que o aumento do percentual dos idosos irá proporcionar. Alterações no mercado de trabalho, nas intervenções de saúde, nas políticas sociais, nas adequações de acesso, entre outras.

 

No entanto, quando nos referimos atualmente sobre os idosos, ainda vinculamos nosso pensamento para a referência da idade, legalmente estabelecida, como critério de divisor de águas. Mas, convenhamos, os idosos atualmente podem ser vistos como “jovens idosos”.

 

Há 30 anos, o idoso apresentava aspecto envelhecido bem mais cedo que hoje. Socialmente, aceitavam que eram velhos e que deveriam “agir” como tal. Diferente do contexto atual, onde vemos idosos que aparentam, tanto física quanto socialmente, ter menos idade. Não se consideram velhos, nem assumem a postura de outrora.

 

Por isso afirmamos: São jovens idosos, sim!

 

Ratificando e refletindo ainda mais sobre o assunto. Em uma perspectiva de análise de projeção apresentada por Sidnei Oliveira no Fórum Internacional de Administração que aconteceu na cidade de Gramado – RS em outubro de 2017, considerando a evolução da expectativa de vida no Brasil; a cada 30 anos, ela aumenta entre 15 a 20 anos. Sendo assim, daqui a 30 anos a expectativa de vida será em torno de 95 anos; e daqui a 60 anos, 115 anos.

 

Então, imaginem daqui a 30 anos o avanço tecnológico! Beneficiando, futuramente, a vida das pessoas, em especial as desenvolvidas na área da saúde. Atualmente, este avanço já proporcionou inovações importantes no processo saúde/doença.

 

Refletindo… Talvez a perspectiva para daqui a 60 anos possa ser até superior aos 120 anos. Ou seja, maior número de idosos, e idosos vivendo cada vez mais.

 

Urge reformular os valores de nossa sociedade, bem como implementar alterações estruturais em todos os contextos de convívio social para adequar a percepção e inclusão deste novo conceito do “idoso”.

 

Não esquecendo que todos, em princípio, serão idosos. Amanhã ou daqui a uma, duas, três…. décadas.

 

Então, pensar nos “jovens idosos” de hoje, é planejar o futuro.

 

[1] BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos. Documentos legais. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-dosa/legislacao/copy2_of_DOCUMENTOS_LEGAIS.pdf

[2] ANTUNES, Esvaldo. Dissertação de Mestrado da UnC. Saúde do idoso: políticas de saúde e assistência social e as ações existentes nas 25ª e 26ª Secretaria do Desenvolvimento Regional (SDR). Canoinhas, 2012.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *