Descendo ao submundo

Rede Social

Confesso, da forma que não podia ser mais lamentável. Fui assaltado durante o período em que se festejava o (re)nascimento da esperança na vida. É, de certa forma, ou mesmo de forma certa, isso que se reverencia durante os dias que cercam o 25 de dezembro.

E eu, como de resto muita gente ingênua deste país (parece que nem de longe todos o são), fui assaltado por um insulto de Natal, travestido com o agridoce apelido de indulto.

Por isso é que insisto. Reformas de verdade é tudo o que o nosso Presidente não deseja, não quer e se empenha para que não aconteçam. A da Pouca Vergonha devia estar à frente de qualquer outra. E, pelo jeito, está no final da fila. Ou dela já foi até excluída.

Depois do insulto ao bom senso, ao juízo, ao bom direito e à esperança dos brasileiros, decretado pelas voltas natalinas pelo senhor Presidente do nosso país, caiu o último cabelo de credibilidade que por ventura ainda esvoaçava em seu corpo.

Vai a tanto que, ao meu redor, todos indagam, se e qual o interesse do próprio Presidente para levar tal insulto ao povo e indultar os criminosos da rodela branca no pescoço. Vou dizer o quê? O que qualquer um imagina, não há alternativa imaginável que não seja aquela de que ele próprio, livrando o pescoço alheio, salva o seu da guilhotina que se aproxima. Por que outra razão estaria tão empenhado em livrar os mais abjetos políticos metidos nos mega crimes investigados e já punidos pela Lava Jato e operações quejandas? Não pode haver maior clareza nos termos do seu decreto para nos levar, todos, à mesma e óbvia conclusão triste e desoladora.

Com o seu malfadado decreto, catapulta-se de vez o Presidente para o mais infausto submundo das impropriedades morais da vida política nacional. Vincula-se diretamente aos crimes financeiros do país, ao usar da pena ao seu alcance e à sua disposição, para livrar da cadeia desordeiros morais e perdoar os seus desvios grandiloquentes do erário. Assim, torna-se tão criminoso quanto. E, por lógico, já não merece sentar no trono que ainda ocupa.

Se — como ele afirma para ainda “justificar” o seu assento na cadeira mais alta da pátria — as instituições estão funcionando, o Judiciário, guardião das instituições constitucionais, precisa manter a mão firme, para continuar trancafiando os condenados nos seus cantos. Onde os demais condenados por crimes pelo país afora também se mantêm — e não conseguem alcançar a mão bondosa e indulgente do misericordioso Presidente (embora muitos talvez o merecessem já há um bom pedaço da sua inglória eternidade).

Só assim podemos ainda manter acesa uma (ínfima que seja) chama de esperança na redenção moral deste país.

-X-X-X-

APARTE  A ampliação do hospital de Clínicas de Porto Alegre está praticamente pronta. Uma surpreendente conclusão dentro dos prazos estipulados. O que é ótimo. Mas — essa conjunção sempre atrapalhativa — mas o dinheiro para garantir a operacionalização do novo espaço passa a ser uma incógnita. A prioridade da saúde novamente em xeque! Mas será o pé do cabrito?!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *