Prospectando 2018

Rede Social

As novelas estão cheias de declarações nulas de conteúdo, do tipo eu queria ser uma mosquinha miudinha para esvoaçar por entre as peças da casa, só espiando o que as pessoas dizem, esperam e no que acreditam…

Na virada do ano, muitos dos meus amigos disseram querer ser uma dessas, mas com o poder de prospectar os acontecimentos do novo ano. Alguém na roda contracenou – ou seria um velho ano? É, porque, pelo visto e pelo escrito, nada mudará no novo calendário. E deitou-se a desfilar um rosário inteiro. Neste espaço, pena, mal cabe uma meia dezena das ave-marias antevistas.

É fácil prever, dispensando mesmo bolinhas de cristal, que a insegurança continuará frouxa, elétrica, temperada, a todo vapor. E mais funda e inglória para o cidadão será a sua desgraça, vendo as justificativas que virão, requentadas como café da semana passada. Os presídios estão em péssimo estado, as forças de segurança são insuficientes para enfrentar a criminalidade. E tudo isso é culpa do caos em que o país está mergulhado. Simples assim, a justificativa. Sem mais. Qual é o caos deste país?

A campanha eleitoral deste ano de eleições gerais e demais, será pobre, mais fraca que pau podre. Paupérrima. Mesmo que a campanha eleitoral tenha recebido o generoso aporte orçamentário de um bilhão e setecentos. Mais quase um bilhão para os partidos se banharem em imagens e criações para cooptar os eleitores a acreditarem nas arengas que já foram usadas, reusadas e tresusadas em uma, duas, três eleições anteriores. Que no entanto fizeram o país avançar sequer um milímetro na linha ascendente do bem-estar do cidadão.

Todavia, por nenhuma via, a educação, desde a fundamental até à secundária e à superior, foi afagada com alguns centavos a mais, muito embora ao orçamento fosse implorado que cedesse algo, ainda que bem menos que às campanhas eleitorais, à educação brasileira. Mas — nananinanão! Ao contrário, vai mais e mais afogada. Pra que fazê-la viver? Isso é que é tratar as questões primordiais do país com seriedade! E assim vamos avançando, como é da moda de se dizer…

Entre os meus amigos — pensei, era apenas eu que não compreendia essas coisas —, todos ficaram boquiabertos com a notícia de que a CEF (Caixa Econômica Federal) precisa de um socorro de 15 bilhões, porque, para atender regras bancárias, tem fundo insuficiente. Como pode, ouviu-se uma exclamação entre os meus, um banco conquistar um buraco desse tamanho? Todo mundo vê que os lucros e arrecadações dos bancos são algo que voa acima da estratosfera financeira.

Para a rolha do furo, lá vai a mão gananciosa meter-se no saco do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). O nome revela o seu objetivo: servir como garantia ao trabalhador. Mas isso não interessa. Como não interessa descobrir donde vem o furo na CEF. Bancos são altissimamente lucrativos. Não ter aporte necessário é estranho…

E vem o senhor Marun nos dizer que empréstimos, a partir de dinheiro da CEF, podem ser usados para cooptar votos na Câmara em favor da reforma da Previdência — altamente discutível, a reforma. Ao juízo de muitos, absolutamente negativa.

Assim, avançamos. Para onde, eis a incógnita do novo ano!

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