A nossa mitologia

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Quando se olha para ou se estuda a história antiga, percebemos que ela está recheada de mitologias. Longas e belas histórias, que nos encantam, por vezes nos enlevam. E, mais racionalmente pensado, nos enganam. Pensamos, nós pobres mortais, como isso era possível! Está muito fora da nossa realidade. Os viventes daquela época, imaginamos, deviam ser iguais a nós viventes de hoje, de aqui e de agora. Como então puderam acontecer tantas coisas que nos parecem, hoje, completamente fora da realidade?

Hoje vivemos o nosso presente, olhando para trás, para as mitologias antigas. Da Grécia, de Roma…

E caminhos para o futuro, deixando o presente para trás, transformando-o num passado. Num passado cada vez mais distante.

Quando o nosso presente atual, e mesmo o presente já com uma perninha um pouquinho mais lá no passado, quando este presente for um passado longínquo — nem precisa ser tão longínquo quanto o é, para nós, hoje, o passado grego e/ou romano —, os nossos sucessores olharão para atrás. E, certamente, encontrarão muita mitologia que lhes deixaremos de herança.

Um exemplo de mitologia que estudarão.

Como podiam existir deuses brasileiros, pensarão, com tamanho poder e força para segurar uma inflação baixinha, baixinha, enquanto todos os preços subiam, subiam, quase com o ímpeto de um Ícaro? Com a diferença de que os preços não despencavam nunca.

 A inflação beira a margem zerada, mas tudo quanto consumimos atinge preços cada vez mais elevados. No caso dos combustíveis — mola propulsora da máquina que movimenta os preços e a vida brasileira —, temos um milagrezinho interessante. A Petrobras — gigante que sangra pela jugular, sem nunca desfalecer — anuncia um aumento nos preços dos combustíveis e imediatamente os postos tascam o aumento para o consumidor final, o povo miserável. Quando a senhora Petrobras diminui o preço do ouro negro, nos postos os números não se mexem sequer um risquinho para baixo. Malandragem dos deuses de hoje, mitos de amanhã.

Semanas trás semanas os combustíveis sobem. Enquanto o mito canta. Semanas pós semanas a inflação vai caindo…

Ninguém desconhece que, no rastro do aumento dos combustíveis, sobem todos os produtos, porque, em tese, precisam do combustível para o seu transporte. Em subindo todos os produtos, a inflação pega carona nas asas de Ícaro. Que, mesmo nas alturas do sol, fica planando no alto. E a nossa inflação de quase zero ao ano se alinha às histórias da mitologia brasileira oficial.

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APARTE — O noticiário dá conta de quantas vidas perdemos cada dia e cada hora nas nossas rodovias pelo Brasil enorme. Da mesma forma dá conta de como é difícil encontrar um pouco de asfalto em meio à buraqueira. As estradas de ferro foram exterminadas. E o dinheiro para as rodovias também. Um rico país pobre!

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