O Rio de sangue

Rede Social

Abriram-se as porteiras e foi dada a largada.

Vinte e cinco por cento do parlamento federal já trocaram de partido, só na legislatura em vigor. Isto antes das porteiras se abrirem. Agora que oficialmente está permitido trocar de partido (sem o risco de alguém ter seu mandato questionado), a onda do troca-troca ideológico será impetuosa. O binóculo do interesse aponta para as eleições de outubro.

A definição clara e objetiva é simples e matemática. Onde há mais dinheiro disponível, para lá é que irá a maior maré. O bolo partidário e o do fundo eleitoral certamente têm um peso decisivo nas revoadas migratórias.

É uma pena. E uma desgraça da democracia. Afinal, a convicção do quotidiano aponta que não será a ideologia que o novo partido defende e quão afinada está a tal ideologia desse partido com a sua própria que vai nortear a caminhada dos que estão sedentos pela nova estrada. Aliás, ideologia por ideologia, pouca diferença fará estar nesta legenda ou em qualquer outra. Ou fará?

São os partidos, pelos seus chefões, que destinarão as fortunas separadas para os políticos e suas campanhas eleitorais. São cerca de dois bilhões que estão à disposição dos partidos e candidatos para isso. A única coisa que há de contar para a revoada é qual a chance que o candidato vai ter para aparecer na mídia e qual o tamanho do bolo financeiro que o partido lhe dará para a sua campanha. Onde houver mais grana, ali a “ideologia” será mais intensa.

Enquanto os candidatos se acomodam neste ou naquele partido, abre-se também a temporada de caça aos pretendentes por parte do eleitor. A pesquisa dos nossos eleitos. Qual será o escolhido por mim para confiar o voto? Esta pescaria também já começou.

Existe uma responsabilidade enorme (e decisiva) dos partidos na indicação dos concorrentes que colocarão à disposição dos eleitores. Aqui reside o fulcro para o início da purificação da nossa atmosfera política: na escolha dos candidatos. Os partidos, pelas suas direções, não podem eximir-se dessa responsabilidade.

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APARTE  A política também é muito responsável pelo rio de sangue em que a capital fluminense está se convertendo. Porque, enquanto os oceanos de dinheiro dos impostos dos cidadãos correm para ralos menos recomendados, a segurança pública morre à míngua. Há muito tempo.

E, porque assim é, ficam absurdamente ridículas — em momentos em que pelas ruas e becos da cidade correm rios de sangue, porque a criminalidade está livre, solta e sem controle algum — e de nada adiantam as aparições das autoridades políticas na televisão. Porque expelem palavras surradas e já sem eco, como “este crime não ficará impune”, ou “isso não há de continuar, porque o governo terá pulso firme contra a impunidade”. Todos sabem que não será da forma como a autoridade fala. Porque simplesmente não se fará nada, como não se fez nada antes. Por todas essas, a cidade maravilhosa transmudou-se em uma cidade horrorosa. Que pena!

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