Hora de reflexão

Rede Social

Flexibilizar é o termo da moda presente. Nada contra. Até porque os radicalismos é que levam ao nada. Aqui não quero falar de política, que atualmente não tem o condão de flexibilizar nada, pelo contrário. Se a gente pudesse flexibilizar a convivência na contrariedade, já se estaria contribuindo muito para um benfazejo viver. E quem não o deseja?

O Ministério da Educação entregou faz pouco a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio. Faz parte da reforma do ensino em implementação no país. No centro da reforma está a tal flexibilização no âmbito dos currículos de estudos ao longo do Ensino Médio. No fundo e no centro da reforma, pretende-se a garantia de melhor qualidade para todo o ensino básico brasileiro. Isso é ótimo. Idealmente.

Uma reforma significativa como esta naturalmente requer muito mais do que consultas públicas e avaliações dentro do Conselho Nacional de Educação. O grande lance, para que uma reorientação desse porte dê certo e faça o Brasil repercutir isso em termos positivos para os seus estudantes e futuros líderes nacionais, é oferecer ao mercado cultural e educativo do país as condições indispensáveis — e de forma generosa — para a sua efetiva, real e consequente implementação. Em outras palavras, dinheiro para o setor.

Entendo que o grande problema, na educação brasileira, não é nem a distribuição dos currículos ao longo das séries da educação básica. É o investimento que se faz na área. É possível que se tenha o melhor regramento, a melhor estruturação curricular, na lei, mas isso é peso morto se não se lhe agregar, igualmente, todos os recursos necessários — e repito o adjetivo generoso — para que possa efetiva e eficazmente funcionar.

Professores, escolas, bibliotecas — todos muito bem preparados e equipados — precisam, da mesma forma como a construção dos currículos, estar comprometidos e preparados para o desempenho da tarefa. Sem isso, tudo será apenas mais um desastre.

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APARTE  Do plenário do STF, o ministro Lewandowski afirma que há 800 mil presos no país e que logo o número alcançará um milhão. O argumento sugere que, por estarem os presídios já superlotados, não poderia haver mais uma prisão ou outra, no caso a de Lula e outros envolvidos na Lava Jato. Fiquei a pensar, diante de um milhão, que diferença fariam os 100-200 que a Operação vai pingando para os presídios. Alguém ao meu lado fez um rápido paralelo: os hospitais pelo país afora já estão mais que superlotados, e mesmo assim ninguém abre frente de argumentação para que não haja mais doentes para serem levados aos hospitais…

Mais outro achou que tanto dinheiro que as investigações apontam como desviados pelos acusados na Operação bem poderia ser, mas não é, utilizado para diminuir os números apontados — nos presídios e nos hospitais —, se fossem empregados na educação, na saúde e na construção de empregos para povo brasileiro.

É uma reflexão. E a hora também é própria para isso.

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