Buracos nossos de cada rua

Rede Social

Estamos em abril. O ano já começou.

Confesso que fiquei, não diria exatamente chocado, mas intrigado, ou ao menos curioso com a notícia. A Câmara Municipal da capital do Estado gaúcho se propõe a devolver 20 milhões ao Executivo. Agora. Fruto do esforço de economia dos vereadores, os edis propõem-se a colaborar com o Executivo, diante das dificuldades financeiras alegadas pelo titular da municipalidade.

Devoluções desta ordem acontecem, via de regra, no final do ano. A Câmara, todavia, leva em consideração a assaz dificuldade financeira do Prefeito. E faz certo ao querer carimbar os recursos para a destinação específica, para não cair na vala comum do nada. Os edis exigem que os recursos sejam destinados especificamente para tapar os buracos das ruas e ajudar os moradores de rua da capital.

Seriedade e correção nas contas públicas e com o dinheiro do contribuinte são artigos muito bem vindos e alegremente saudados. O dinheiro será muito bem vindo, se de fato o caso se concretizar. Olha que temos buracos pela cidade! Diria quase — e isso é fato em diversas ruas — que quem anda de carro pela city procura um pouco de asfalto aqui e ali em meio ao livre habitat dos buracos. Tal é a calamidade pelas ruas e avenidas.

A minha curiosidade se aguça. Se pode devolver antes, já agora, em abril, precisava a Câmara todo esse dinheiro? Mas, enfim, se o tem, bom que faça este bom uso da grana. O povo agradece, penhorado. E se compadece. Pena que tenhamos apenas uma Câmara de Vereadores na Capital.

Tivéssemos umas cinco, quantos problemas poderíamos resolver pelo território do Município, só com o dinheiro devolvido, fruto do “esforço de economia” feito pelos vereadores!…

Estamos em abril, e a previsão é de 20 milhões em economia. Lá por outubro talvez a safra poderá render outros tantos. Para alegria do prefeito. Os munícipes agradecem pelo senso de economia e cooperação dos senhores vereadores.

Ali poderemos ter bons candidatos. Daqui a dois anos…

O Rio Grande tem a bem dizer cinco centenas de municípios. A moda seria bem vinda, se espraiada por todo o Estado. Porém, melhor ainda seria que os Governos e os Parlamentos conseguissem se ajustar em seus orçamentos.

Por algum lugar anda o dinheiro que os cidadãos carreiam, oceanicamente, aos erários. E olha que isso faz buracos no bolso de cada um de nós!

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APARTE — Quem anda pelas estradas do Rio Grande não encontra apenas buracos. Não encontra sequer as vias. Pior que isso, a recuperação e duplicação de trechos não avançam, se é que iniciam. Tem locais cuja recuperação/duplicação vem sendo prometida há quase vinte anos (bem antes da Copa do Mundo brasileira). Ainda não estão pelo meio em 2018. E, apesar das promessas reiteradas de suas conclusões, não conseguem avançar. Duvido que haja alguém que não conheça um local desses. Será que o problema é (apenas) dinheiro que falta? Existe alguma resposta?

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