O dinheiro que sobra

E que falta. Tudo ao mesmo tempo. Paradoxal. Só parece.

Este país, de nome glorioso, Brasil, tem dinheiro em abundância. Não é um país pobre. É muito rico. Excessivamente rico, talvez.

Pobre é o seu povo. Pobre em finanças. Pobre em assistência. Pobre em representantes que, mesmo que os eleja, não retornam aos seus a confiança que deles receberam. E esta é a página mais triste da nossa história. Tristeza que espicha a sua história de eleição em eleição.

Hoje, o nosso país parece um amplo campo de suspeitas e investigações. Quanto mais os respectivos órgãos se aprofundam nas investigações em curso, quanto mais novas investigações se fundam (e há muitas novas fontes de pouco em pouco), mais clara se evidencia a verdade do título desta coluna. As investigações deixam quase todos os brasileiros boquiabertos diante da quantidade de revelações de desvios de dinheiro público. De bilionárias quantias de dinheiro que é subtraído das riquezas nacionais.

Diante desses fatos, que se repetem, ao menos de semana em semana, não há como duvidar de que o Brasil é um país de muito dinheiro. Fosse empregado corretamente, os brasileiros não teriam motivos para se queixarem de falta de dinheiro. Nem na segurança, nem na saúde, nem nos hospitais, nem nas escolas, nem para os trabalhadores dessas áreas.

Estamos nos encaminhando para mais uma eleição. A tarefa mais forte, mais pesada e, ao mesmo tempo, mais urgente que os futuros parlamentares e governantes terão pela frente é justamente a de reconquistar a confiança dos seus representados. Os partidos (e, por óbvio, os seus dirigentes) têm enorme e fundamental papel nesta missão.

Insisto num ponto: não podemos condenar (unicamente) o eleitor pelos maus elementos que ele carrega aos parlamentos e aos executivos. Muito se diz, que o eleitor é que escolhe mal os seus representantes na política. Se os que são apresentados pelos partidos não correspondem ao que eles mesmos (e os próprios partidos, é preciso que se diga com ênfase) prometem durante as campanhas, não se pode responsabilizar o eleitor por tal ignomínia. Os partidos precisam também fazer o seu exame de sanidade eleitoral e política, no sentido de depurar suas fileiras antes das eleições e cobrar, a posteriori, a derrapagem respeitante às promessas falsificadas, ou roídas.

Digo o quê? É o que vemos eleição após eleição. Os rótulos que os partidos trazem ao eleitor são, invariavelmente, de gente boa e confiável. E, a bem dizer, imploram o nosso voto. Não só estou querendo, aqui, me vacinar preventivamente contra a gripe dos maus resultados eleitorais, mas, em igual medida, implorar aos partidos que ajudem na reconstrução daquilo que se ouve das próprias agremiações políticas: de que vivemos uma época de descrédito absoluto em relação à classe. O que é uma verdade.

Por tudo isso, a garimpagem à procura de bons elementos, nos quais possamos depositar o nosso voto e a nossa confiança, precisará de várias mãos: as do eleitor e as dos dirigentes partidários. Sem essa parceria, continuaremos na mesma: o eleitor reclamando dos políticos, e estes, passando vergonha diante do xingatório dos cidadãos. O que não engrandece nem um lado, nem outro.

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