As bombas de Trump

Tipos como ele parece que não dormem bem se não tiverem no seu esquema de vida a desova de bombas que o arsenal do país estoca mês após mês. E, quando o conseguem, certamente têm sonhos que os embalam por nuvens de um céu parecido com o paraíso.

Trump é do tipo que parece maluco, se de fato não o é. Onde as bombas haverão de cair é apenas um detalhe. Porque elas descem impiedosamente. Dominar o mundo, seja pela economia, seja pela força, eis a sua ideia fixa. Reinar é o que importa.

Alguém diria que ele está cumprindo as suas promessas de campanha. E está.

Prometeu, por exemplo, retirar os EUA do Acordo de Paris, que assumira o compromisso de preparar o Planeta para as gerações futuras nas questões climáticas, diminuindo as emissões de gases. E retirou. Para que o seu país pudesse continuar poluindo sem medidas.

Prometeu construir um muro para separar o seu país do México. E está brigando como galo de rinha para executar a promessa. Nem está aí para as desumanidades decorrentes da atitude.

E por aí adiante. Mas não me parece ser este um troféu que possa coroar o seu período de habitante transitório da Casa Branca. Passará para a história como um maluco cumpridor dos seus horrores.

Vale um paralelo.

Por lá, o político promete na campanha e cumpre durante o mandato – e todo mundo torce para que deixe de cumprir uma, duas, três, quiçá todas as suas promessas eleitorais.

Enquanto isso, por estas terras brasílicas, somos duzentos milhões que rezam para que os políticos cumpram pelo menos uma, duas, três, talvez metade de suas promessas de campanha. Se tal acontecesse, além de se constituir em verdadeiro milagre, o país inteiro estaria navegando em nuvens paradisíacas. Se cumprissem todas — Nosso Senhor, nos dê essa bênção! —, a nossa terra seria o próprio Éden redivivo.

Quão bom seria se tivessem em mente alguma ideia do gênero todos os que se preparam para as famigeradas promessas que jogarão ao vento e às nossas ventas no longo e interminável período de 50 dias de propaganda que já já há de correr feito um vendaval por nossas casas e nossas cidades, com os comícios e as veiculações de mídia.

Não é de graça que o Congresso e os políticos vivem na vizinhança do zero na medida da confiança que a população tem nas instituições brasileiras. É o que aponta pesquisa recém publicada, segundo a qual o Congresso Nacional (naturalmente, formado por políticos eleitos pelas suas promessas) tem apenas 0,6 por cento da confiança popular. Uma vergonha tão elevada quanto a altura do próprio Congresso.

Já os partidos políticos (formado por políticos, é bom lembrar), conforme a mesma pesquisa, praticamente desaparecem na régua de medida da confiança popular. Têm ínfimos, reles 0,2 por cento. Não existe. (Pesquisa CNT/MDA, 14/05/2018)

As próximas promessas e propagandas precisam levar em conta esse trágico desastre.

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